Marco Aurélio Gomes Veado
3 min read
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July 21, 2025
Na área relacionada aos cuidados com a demência, uma preocupação vem crescendo entre profissionais da saúde, cuidadores e defensores de pacientes: estamos medicando em excesso os pacientes com demência? Com milhões de pessoas vivendo com Alzheimer e outras formas de demência no mundo, é hora de analisar de perto os medicamentos prescritos, seus verdadeiros impactos e a influência silenciosa da Big Pharma por trás disso tudo.

A demência não é uma única doença, mas um conjunto de condições marcadas por declínio cognitivo.
Sem cura, os tratamentos se concentram em aliviar sintomas como perda de memória, agitação, insônia e alucinações. Para isso, muitos médicos recorrem a antipsicóticos, sedativos, antidepressivos e inibidores da colinesterase.
Embora possam trazer alívio temporário, cresce a preocupação com o uso excessivo, muitas vezes sem considerar alternativas não farmacológicas.
Segundo estudos da OMS e outras instituições internacionais de saúde, uma grande porcentagem de pacientes com demência em lares de idosos recebe drogas antipsicóticas, mesmo sem indicação apropriada. Esses medicamentos trazem riscos graves, como AVC, quedas e até morte.
Um relatório de 2021 do GAO revelou que 1 em cada 5 residentes de asilos ou abrigos tomava medicamentos psicotrópicos sem diagnóstico compatível.
Trata-se do chamado “confinamento químico”, prática alarmante que pode acelerar o declínio cognitivo.
Falta de equipe, rotina acelerada, pressões econômicas… tudo isso torna a medicação uma saída mais rápida e barata que terapias comportamentais ou planos personalizados.
Mas há outro fator: a influência "silenciosa" da poderosa indústria farmacêutica, também conhecida como Big Pharma.
A indústria farmacêutica exerce influência há décadas: financiam pesquisas, eventos médicos e divulgam diretamente aos profissionais da saúde. E claro, lucram bilhões com prescrições contínuas.
Mesmo que nem todas ajam de má-fé, o sistema favorece o uso prolongado de medicamentos, enquanto há poucos investimentos em terapias alternativas ou suporte aos cuidadores.
Você deve começar questionando:
Medicamos demais. E, com isso, silenciamos pessoas, retiramos sua autonomia e enfraquecemos os laços humanos.
É hora de questionar a Big Pharma, investir em modelos mais humanos e empáticos e oferecer cuidados que respeitam quem a pessoa é.
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