Marco Aurélio Gomes Veado
3 min read
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July 1, 2025
A Inteligência Artificial (IA) mudou radicalmente não só a maneira como trabalhamos, mas o jeito de nos comunicarmos e até de pensarmos. E, pasmem-se, ainda estamos numa espécie de fase embrionária da IA. Mesmo assim, essa tecnologia já está revolucionando todos os setores da sociedade. Um impacto semelhante - ou maior - ao da descoberta da eletricidade.
Mas, apesar de toda essa praticidade inédita em tudo que fazemos, o que dizer do futuro se houver uso excessivo da IA? Em outras palavras, será que essa conveniência tem um preço alto para a saúde do nosso cérebro?
Pesquisas recentes e observações clínicas apontam que a dependência excessiva da IA pode estar contribuindo para o aumento de transtornos cognitivos, especialmente entre jovens e adultos de meia-idade, não só agora, mas no futuro próximo principalmente.
O que a neuroplasticidade poderá fazer nos cérebros “subutilizados” por causa da IA?
Vamos fazer uma reflexão sobre esse novo agravante com relação a um dos vários motivos que fazem a demência se alastrar no mundo.

As ferramentas de IA são feitas para simplificar tarefas em vários campos profissionais. Mas quando deixamos de usar o cérebro para resolver problemas como tomar decisões ou lembrar informações, entramos em um estado de passividade cognitiva.
Esse fenômeno, chamado de externalização cognitiva, acontece quando passamos a delegar tarefas mentais para dispositivos e softwares.
Embora esse hábito possa ser útil em alguns contextos, sua prática constante pode levar à atrofia de áreas cerebrais responsáveis pela memória, atenção e raciocínio.
A neurociência já comprovou o princípio do "use ou perca", quando se trata do funcionamento cerebral. Quer dizer, com a "ajuda da IA", poucas pessoas memorizam números de telefone, endereços ou até mesmo informações básicas.
Assistentes de voz respondem perguntas em segundos, mecanismos de busca completam nossos pensamentos, e certos aplicativos tomam decisões por nós. Esse leque de facilidades gera indolência mental naqueles que abusam dos serviços da IA e tal tendência fez com que alguns especialistas cunhassem o termo “demência digital”, um declínio cognitivo relacionado ao uso excessivo de dispositivos digitais e à dependência tecnológica.
Os sintomas incluem lapsos de memória, déficit de atenção, dificuldade para resolver problemas e, em casos mais sérios, sinais precoces de comprometimento cognitivo leve (MCI).
Além da memória e da atenção, a IA pode estar afetando negativamente a inteligência emocional (IE).
Vivemos em autênticas "bolhas algorítmicas" porque interagimos mais com máquinas do que com pessoas no nosso dia a dia. Essa rotina diminui a complexidade das relações humanas e pode afetar áreas do cérebro responsáveis pela empatia e pela auto regulação emocional.
Em crianças e adolescentes, o impacto pode ser ainda mais profundo, pois irá influenciar no seu desenvolvimento neurológico de forma permanente.
O resultado será que seus cérebros, alterados pela excesso se remodelarão para melhor de adaptarem ao novo status quo.
Esse é o fenômeno da neuroplasticidade acontecendo. Melhor nem imaginar o que poderá acontecer nos cérebros das gerações futuras, “filhos” dos indolentes de hoje…
O fato é que a IA alimenta nosso cérebro com um fluxo constante de estímulos: notificações, mensagens, conteúdos personalizados, vídeos curtos, sugestões infinitas. Esse excesso de informação leva à sobrecarga cognitiva, que pode causar estresse, ansiedade, insônia e até esgotamento mental.
Já se fala em burnout neurológico, uma condição em que o cérebro perde a capacidade de manter a concentração profunda e o pensamento crítico, fatores essenciais para manter a saúde cognitiva a longo prazo.
Na MCI and Beyond, defendemos uma relação mais consciente com a tecnologia.
A Inteligência Artificial não é e jamais será o vilão dessa história toda, porque tem que fazer valer a velha máxima: “sabendo usar, vai dar certo”.
O problema está em como utilizamos IA e a quantidade de vezes por dia. Uma dependência excessiva irá prejudicar as funções que definem nossa humanidade: memória, atenção, criatividade e emoção.
Acreditamos, enfim, que a tecnologia deve ser uma aliada da saúde mental, mas jamais uma substituta que torne o cérebro humano seu escravo. Essa máquina de pensar e criar que já se encontra em nossa caixa craniana é única e incomparável. Mantenha-a assim!.
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